O cenário internacional atravessa uma transformação profunda. Relações comerciais, cadeias produtivas, segurança energética e equilíbrio geopolítico passaram a operar de forma cada vez mais conectada — e compreender essas mudanças é parte central dos desafios estratégicos do Brasil.
Foi a partir dessa reflexão que o Instituto Diálogos realizou, em 9 de junho, em São Paulo, o seminário “A Nova Geoeconomia Mundial”, reunindo especialistas brasileiros e internacionais para discutir os impactos da reorganização global sobre economia, política, comércio, energia e segurança alimentar.
A abertura do encontro foi conduzida pela senadora Tereza Cristina, presidente do Conselho de Administração do Instituto Diálogos, que destacou a proposta do Instituto de promover um espaço permanente de diálogo e reflexão estratégica sobre o futuro do país.
“O Instituto Diálogos foi criado para que possamos voltar a pensar estrategicamente o Brasil”, afirmou.
Ao longo do seminário, os debates evidenciaram como temas antes tratados separadamente passaram a fazer parte de uma mesma dinâmica global. A disputa por alimentos, energia, minerais estratégicos, tecnologia e influência política hoje redefine alianças, reposiciona cadeias produtivas e amplia a necessidade de adaptação dos países a um ambiente internacional mais competitivo e menos previsível.
O primeiro painel reuniu Marcos Jank, especialista em agronegócio global e segurança alimentar; Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS; e Ricardo Zúñiga, ex-conselheiro da Casa Branca para América Latina e ex-cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, com mediação da jornalista Thaís Herédia.
As discussões abordaram o papel estratégico das commodities, os impactos da disputa entre Estados Unidos e China sobre comércio e investimentos globais e os desafios enfrentados por países emergentes diante da reorganização das cadeias internacionais.
Em diferentes perspectivas, os participantes convergiram na avaliação de que o Brasil ocupa posição relevante nesse novo contexto geoeconômico — especialmente pela sua capacidade de atuação em setores estratégicos como agronegócio, energia e minerais.
“O Brasil é um parceiro inevitável para os Estados Unidos”, afirmou Ricardo Zúñiga.
O segundo painel teve como destaque a participação de Nicholas Burns, professor da Harvard Kennedy School e ex-embaixador dos Estados Unidos na China e na OTAN. Em sua análise sobre as transformações da ordem internacional, Burns abordou os desafios da relação entre Estados Unidos e China, os impactos da fragmentação geopolítica e a necessidade de construção de novos mecanismos de cooperação internacional.
“Precisamos pensar em uma nova ordem mundial para 2040”, afirmou.
As discussões também reforçaram a importância de ampliar a capacidade brasileira de compreender movimentos globais de longo prazo e de fortalecer estratégias de inserção internacional em um contexto marcado por mudanças aceleradas e crescente interdependência entre economia, geopolítica e desenvolvimento.
O seminário marcou o início da agenda pública do Instituto Diálogos, que seguirá promovendo encontros, debates e conteúdos voltados à reflexão qualificada sobre os grandes temas nacionais e internacionais que impactam o futuro do Brasil.
