Encontro de alto nível, em 8 de outubro, reunirá em Brasília autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os próximos passos do Brasil na cadeia de minerais críticos e estratégicos, enquanto a política nacional para esses minérios está na fase de regulamentação.
Os minerais críticos e estratégicos ganharam importância econômica, tecnológica e geopolítica com a transição energética, o avanço de novas tecnologias e as mudanças nas cadeias globais de produção. Lítio, níquel, grafita, cobre, nióbio e elementos de terras raras têm aplicações em baterias, motores elétricos, geração e transmissão de energia, equipamentos industriais e outras tecnologias relevantes para a economia contemporânea.
O Brasil dispõe de recursos minerais expressivos e já participa de diferentes etapas dessas cadeias. Um dos desafios do país é ampliar a transformação realizada em território nacional para converter seu potencial mineral em capacidade industrial, desenvolvimento tecnológico, investimentos, empregos qualificados e maior geração de valor.
Esse será o ponto de partida do seminário “Minerais Críticos: da Nova Lei à Transformação Industrial”, que o Instituto Diálogos realizará em 8 de outubro de 2026, em Brasília. Primeiro de uma série dedicada ao tema, o encontro aproximará poder público, setor produtivo, entidades da mineração, centros tecnológicos e especialistas que atuam diretamente na formulação de políticas, no desenvolvimento de projetos e nas diferentes etapas da cadeia mineral.
Ao final da série, as discussões e conclusões serão sintetizadas em uma publicação orientativa para a formulação de políticas públicas, bem como para as iniciativas do setor privado.
A iniciativa corresponde aos objetivos que orientam o Instituto Diálogos. Apartidário e sem fins lucrativos, o Instituto estimula o debate plural e a difusão de conhecimento sobre questões relevantes para o país. Sua missão é colaborar com a construção de um projeto de desenvolvimento nacional sustentável, com a aproximação entre os setores público, privado e acadêmico.
“Ao colocar os minerais críticos em discussão neste momento, queremos contribuir para que o Brasil aproveite uma oportunidade concreta de agregar valor a seus recursos, fortalecer cadeias produtivas e criar condições para novos investimentos, desenvolvimento tecnológico e expansão industrial”, afirma Fernando Camargo, diretor-presidente do Instituto Diálogos.
Um novo momento para os minerais críticos no Brasil
O seminário ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.506/2026, originada do Projeto de Lei 2.780/2024. A legislação, que está em fase de regulamentação, institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e define instrumentos para a sua implementação.
A etapa que se inicia envolve a aplicação dos instrumentos previstos na lei e decisões capazes de influenciar pesquisa mineral, produção, beneficiamento, refino, processamento e industrialização. Segurança regulatória, financiamento, atração de capital de longo prazo e desenvolvimento tecnológico fazem parte dessa agenda.
A extração representa uma das etapas do processo. Parcela importante do valor econômico pode ser incorporada nas fases seguintes, quando os recursos minerais passam por beneficiamento, refino, processamento e transformação até chegar a insumos, componentes e produtos industriais.
No setor, essas fases costumam ser identificadas como upstream, midstream e downstream. O upstream abrange extração e beneficiamento. O midstream inclui etapas como refino e processamento químico. O downstream compreende a fabricação de componentes e produtos de maior valor agregado. A capacidade de conectar essas etapas está entre os principais desafios para o desenvolvimento da cadeia brasileira de minerais críticos e estratégicos.
O país já possui experiências de agregação de valor. Na cadeia do nióbio, produz ferronióbio e outros produtos industrializados. Há avanços no processamento de terras raras, embora parte relevante dessa atividade ainda permaneça em fases iniciais e intermediárias. O Brasil processa ainda minerais destinados à produção de fertilizantes, segmento no qual mantém elevada dependência de importações.
A disponibilidade de recursos minerais, portanto, não define sozinha o lugar que um país ocupa em uma cadeia produtiva. Tecnologia, infraestrutura, pesquisa, financiamento, estabilidade regulatória e capacidade industrial influenciam quanto valor pode ser produzido a partir desses recursos.
Da nova lei à transformação industrial
A nova legislação abre espaço para discutir com maior precisão como transformar as diretrizes da política de minerais críticos e estratégicos em projetos, investimentos e capacidade produtiva.
O seminário abordará a relação entre o novo arcabouço institucional do setor e iniciativas como a Nova Indústria Brasil, o Plano Clima e o Plano de Transição Energética. A previsibilidade necessária aos investimentos de longo prazo será um dos pontos da discussão.
Outro eixo será o avanço da transformação mineral no Brasil. A passagem do minério extraído para insumos, componentes e produtos industriais depende de tecnologia e de condições econômicas que variam conforme cada cadeia.
As terras raras exemplificam essa complexidade. Seus elementos são utilizados na fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos e outros componentes que exigem domínio tecnológico e escala industrial.
Questões semelhantes aparecem nas cadeias de minerais utilizados em baterias, equipamentos elétricos e tecnologias associadas à transição energética. A discussão sobre agregação de valor envolve justamente as condições para que uma parcela maior dessas atividades se desenvolva no Brasil.
Programação reúne diferentes experiências
A composição de debatedores e moderadores coloca na mesma discussão profissionais ligados à elaboração e execução da política mineral, ao desenvolvimento de projetos privados, à pesquisa tecnológica, à mineração, à transformação industrial e à análise econômica. Essa diversidade permitirá confrontar diferentes perspectivas sobre os caminhos para ampliar a produção e a industrialização dos minerais críticos no Brasil.
A abertura institucional será feita pela senadora Tereza Cristina, presidente do Conselho de Administração do Instituto Diálogos.
O Painel de abertura: visão geral do setor terá como expositores Caíque Souza, consultor independente da Vallya Advisors, e Anderson Barreto Arruda, diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral e substituto dosecretárionacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia.
Na sequência, o painel Terras raras à luz da experiência internacional: dos projetos minerários aos ímãs e motores elétricos reunirá Frederico Bedran Oliveira, diretor-executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC); André Luis Pimenta de Faria, coordenador do Centro de Inovação e Tecnologia SENAI para Ímãs de Terras Raras; e Pablo Cesário, diretor de Relações Institucionais e Assuntos Associativos e diretor-presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). A moderação será de Rafaela Guedes, economista e Senior Fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, CEBRI.
O painel Da mina à agregação de valor: o marco brasileiro diante das melhores práticas internacionais terá Marcos Berton, gerente de Tecnologia e Inovação e pesquisador-chefe do Instituto SENAI de Inovação em Eletroquímica, no Paraná; Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS Brasil e presidente do Conselho de Administração da Associação de Minerais Críticos; e Carlos Sarquis, gerente de Relações Governamentais da Vale Base Metals.
A moderação caberá a Rodrigo Toledo Cabral Cota, servidor público cedido ao Senado Federal e ex-diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia.
O seminário conta com o patrocínio do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
SERVIÇO
Seminário “Minerais Críticos: da Nova Lei à Transformação Industrial”
Data: 8 de outubro de 2026 Horário: 9h30 às 12h30
Local: Auditório do Edifício ION, Asa Norte, Brasília, DF
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Programação
9h
Abertura institucional
Painel de abertura: Visão geral do setor
Painel: “Terras raras à luz da experiência internacional: dos projetos minerários aos ímãs e motores elétricos”
Painel: “Da mina à agregação de valor: o marco brasileiro diante das melhores práticas internacionais”
12h30
Encerramento
Inscrições
https://forms.gle/yhb6hQWtgbd93f6s6
As inscrições estão sujeitas à capacidade do auditório.
As vagas são limitadas e não haverá transmissão ao vivo.
